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sábado, 15 de dezembro de 2007

Dependência Virtual




A ausência foi sentida? Não sei, mas eu senti falta de todos vocês, do teclado rude e das letras meias apagadas, do ecrã pálido a ganhar vida em forma de letras, das palavras a esvoaçarem rumo ao virtual mundo dos textos, a minha vida a ser a vida de todos vós e a vossa vida a ser um pedaço de mim...
No meu último devaneio falei-vos de um cantor que adoro, cujas músicas me envolvem numa doçura estonteante. Agora, falo-vos do pesadelo (!!!) que foi a minha última semana: sem internet.
Ahh pois é, esta nossa geração sem internet já não se aguenta! As linhas que separam real do virtual são tão ténues que sem elas não sabemos o que mais fazer. Dava eu por mim, dez e meia da noite, sentada na cama, a olhar as paredes, os livros (poucos, dada a finitude das aulas...) já separados para o dia seguinte, a toilette já escolhida (que tristeza..!), tudo arrumado, e restava-me a televisão, com os seus inúteis cinquenta canais, onde as galas de Natal da tvi me faziam ter pena de mim mesma.
Uma semana sem computador e, consequentemente, sem internet. Uma semana onde apenas me restou sentar-me no sofá, a explorar os canais, ou de telefone pendurado na orelha, a desabafar com primas, amigas, amigos, sobre a desgraça que então estava a viver! Um descalabro, um drama!
E acreditem que isto, vindo de quem só tem internet há meia dúzia de meses, é muito mau sinal... A dependência aguçada de quem encontra no ecrã espelhado o contacto com o mundo (e se lermos esta frase co espírito de quem nunca mexeu num computador, vamos considerar-nos, a nós próprios, a extrema ridicularidade da geração!), a tamanha felicidade e liberdade de nos sentarmos, envolvidos pelo calor do aquecedor - que o Natal já enregela...- e assolados por ideias de comentários a fazer nos respectivos Hi5, e-mails a responder, blogs para actualizar, pessoas com quem falar...
Porque em cada segundo tudo se transforma, e no mundo virtual a velocidade ganha outro significado. Eu estive uma semana fora e ontem aprendi que SECSY (sexy !!!) se escreve assim.
Esta nossa geração virtualóide, vai de mal a pior... Só nos resta ir com a maré, e mantermo-nos actualizados, para não fazermos má figura !


> Mariana Silva

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Devaneando... porque é tudo mais um sonho...

Fala-se de sonhos como se nascessemos já com os bolsos recheados deles, como se brotassem em nós abrindo caminho, meio a medo, sem medo, corajosos. E assim o é, de facto.
Abrimos os olhos às circunstâncias, aterrando na vida como se de uma cama fofa se tratasse, ensaiando as sestas para dormir depois o grande sono.
E é sempre tudo mais um outro sonho, bom ou mau, mais uma outra miragem, mais um sorriso, um olhar furtivo, uma palavra simpática, um beijo suave, um sim, um não, um grito, uma gargalhada, um pôr de sol, uma nuvem, um par de mãos dadas, um acordar feliz, uma poça de água, um bom chocolate, a maresia envolvente, um gelado dividido, um amor partilhado, uma chapada em face alheia, um elogio, uma discussão feroz, uma coca-cola, um toque, um livro, uma crítica arrojada, uma lágrima, um bolo de aniversário, um momento, muitos momentos, uma vida, muitas vidas...
E vamos acordando, durante a jornada, batendo com a cabeça na parede ao virarmo-nos para o outro lado, cansados já de dormir para o lado em questão, voltando a virar-nos de seguida, caindo da cama, levantando-nos carrancudos, enterrando a cabeça na almofada fofa...
E vamos crescendo: aprendemos a não errar ou, pior, a como errar de novo; aprendemos a sermos nós ou a sermos outro que escolhamos; aprendemos que o mundo fez as pessoas, assim como foi e é feito por elas, a cada minuto, a cada vida que nasce, a cada vida que parte.. A cada sonho «que brota, a cada pesadelo que se entranha, a cada gesto salvador, a cada condenação de vidas alheias ou da própria.

É tudo uma questão de tempo, de circunstâncias, não tendo o 'sim' e o 'nunca' qualquer valor senão o efémero que lhe damos; é tudo uma questão de percebermos que para dependermos dos outros também alguém terá de depender de nós; é tudo uma questão de percebermos que além de sermos alguém no mundo, temos de viver como se o fossemos de facto, ajudando, sendo ajudado, fazendo progredir, progredindo, plantar para também crescer.


Porque é tudo mais um sonho...


Mariana Silva

domingo, 21 de outubro de 2007

PORQUÊ?

Todos temos direito aos nossos devaneios, sejam eles sobre a nossa condição mortal, sobre os glaciares que ao derreterem farão elevar o nível das águas, ou mesmo sobre a melga que nos importuna no cantinho do ouvido quando tentamos escrever o primeiro post no nosso blog...!
Assim sendo, devaneio está definido no dicionário como 'sonho, fantasia, capricho da imaginação', e é disso mesmo que se trata: aqui, vamos dar à batata a oportunidade de ser levada a sério (!) de exprimir o capricho da sua imaginação, de contar o que lhe vai na alma, o que a importuna, o que a diverte, o que ela adora e o que odeia.
Porque no fundo, todos temos uma batata dentro de nós.
E, antes dos palitos, do puré, do pacote matutano, é hora de dar poder de palavra às batatas!


Mariana Silva