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domingo, 21 de outubro de 2007

o primeiro devaneio sério da batata

Selou-se um beijo na escuridão da noite.

Nenhum outro habitante do mundo terrestre o conhecia, era secreto, vulto do amor, pois só os amantes sabiam – ainda sem conhecer – o que então sentiam.
E todos os sinos na cabeça, todas as estrelas em rotação, o coração a pular fora do peito, iria isso fazê-los amarem-se ainda mais?
O limite desconhecido chegava com o fôlego quebrado, e tudo era mais um segundo daquela sede saciada… Só mais um, mais um pouco, quem sabe quantos mais, por quanto tempo…?
Desgrudarem-se não era sequer pensável, quanto mais executável. Todo aquele momento de momentos da noite fazia deles fugitivos do mundo, refugiados naquele amor, sede de universo.

Queriam-se mais do que a si próprios, selando os lábios com doces pedidos, como quem sela uma carta de palavras frias, qual noite que acaba, devolvendo os amantes à cama fria da casa dos progenitores…
Queriam-se mais do que podiam compreender naquele momento só deles, naquela hora perdida no espaço temporal, naquele momento de ausência do próprio mundo.Queriam, com certeza, mais do que podiam ter, mais do que qualquer outro alguém quisera, mais do que queriam realmente…

Mariana Silva