
''Trazer as pessoas no bolso'' é uma óptima metáfora para explicar a forma como carregamos connosco as vivências de uma vida e as pessoas de uma vivência..
Isto porque, ainda que usemos roupa sem bolsos, casacos sem bolsos, calças sem bolsos, ha sempre um bolsinho, um local, um poiso, onde descansamos as memórias e deixamos que a nossa vida vá correndo, a olhar para o trás e para a frente, olhos postos no passado e no futuro, no conseguido e no por conquistar.
Porque é tudo nosso, se uma série de factores se alhinharem e o 'tudo' acontecer.
Porque nada é nosso se nada acontecer.
E porque as conquistas de uma vida, de um momento, de um segundo, são nossas, do nosso bolso, do nosso poiso... E se forem como eu há sempre uma caixinha forrada onde já nada cabe, tantas são as provas de memórias que por vezes se escondem, se perdem no bolso, e voltamos a encontrar, radiantes ou chorosos, quiçá...
São as pessoas que movem o mundo, que movem os momentos, as vidas, e que enchem os bolsos, os poisos, as caixas.. Porque são as pessoas a mão que nos agarra à vida, que nos embala o choro e que nos castiga com uma palmada, que nos afaga os cabelos e nos mostra um não com o dedo indicador...
Porque as pessoas da nossa vida não fogem, ficam presas ao bolso, poiso, caixa das memórias e são nossas para sempre...
Porque tudo fica aguardado mesmo quando dizemos que já esquecemos, que já nada significa para nós, que se perdeu no tempo.. Porque o Destino é matreiro e assim como não apaga as coisas boas, também não apaga as más..
Resta-nos, então, ter vários bolsos, poisos, caixinhas, e seleccionar bem o que queremos reviver.
Afinal, é tudo uma questão de escolha.. de uma série de factores que se alinham para que o 'tudo' aconteça.
>>> Mariana Silva

